Presidente da República e Nobel da Paz, José Ramos-Horta, condecorou o jornalista António Veladas e o engenheiro Eduardo Morais dos Santos, ambos eborenses.O Estado de Timor-Leste, através do Presidente da República cessante, e Nobel da Paz José Ramos-Horta, condecorou dois eborenses com a Medalha de Mérito, por ocasião das comemorações dos dez anos da Restauração da Independência da República Democrática de Timor-Leste.
António Veladas, 45 anos de idade, jornalista eborense e Cônsul Honorário de Timor-Leste, nos últimos trinta meses desempenhou funções de assessor pessoal do presidente da República e Nobel da Paz José Ramos-Horta. Em 1999 foi o enviado especial da Antena 1 a Timor-Leste, tendo-se destacado junto da Frente Clandestina e foi o primeiro jornalista português a chegar junto dos guerrilheiros, nas quatro posições territoriais das FALINTIL, nas montanhas. Prestou assistência médica e alimentar aos guerrilheiros e, pela primeira vez, Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, falaram entre si, em direto para o mundo através do telefone satélite do jornalista eborense. No dia 21 de Agosto de 1999, organizou e liderou uma caravana com mais de mil pessoas que desciam das montanhas e que pretendiam regressar a Díli – cerca de mil e cem pessoas entre crianças, homens e mulheres de várias idades - estando sob ameaça de ataque de milícias integracionistas, para a votação no histórico referendo do dia 30 do mesmo mês – tendo este ato resultado na primeira de duas manifestações populares de apoio à independência pelas ruas de Díli. Em Jakarta, em Setembro de 1999, protegeu e evacuou secretamente para Macau um dos líderes mais procurados, pela polícia secreta indonésia, da luta pela independência timorense. Em 2000 foi detido na fronteira entre Timor-Leste e a Indonésia, tendo estado em cativeiro na cidade de indonésia de Atambua, até ser libertado por acordo entre Portugal, a ONU e as autoridades indonésias.
António Veladas, foi fundador e co-fundador de quatro órgãos de comunicação social em Timor-Leste, o Semanário, o Diário, o Loron e a revista Enjoy Timor-Leste, assim como instalou os emissores da RDP no país, no ano 2000, deu formação a professores portugueses e a jovens timorenses, em programação e informação rádio. Escreveu e publicou o livro “Timor-Terra Sentida” com prefácio de Xanana Gusmão e sub prefácios de vários líderes timorenses e de personalidades mundiais como Sérgio Vieira de Mello. Em 2003 participou num salvamento noturno, no mar de Timor, a tripulantes de um cargueiro naufragado ao princípio da noite a trinta quilómetros da costa timorense, numa embarcação pilotada pelo comandante da marinha mercante Luís Pité. António Veladas e Luís Pité enfrentaram durante oito horas ventos ciclónicos e ondas de seis metros, tendo conseguido, ao nascer do sol, recolher do mar e salvar com vida três náufragos.
Em 2006 rescindiu dos quadros permanentes da RTP SGPS e assumiu em Macau, as funções oficiais como o primeiro representante do Estado de Timor-Leste no Fórum para a Cooperação Comercial entre a República da China e os Países de Língua Portuguesa, acumulando a representação de ligação consular com a embaixada timorense em Pequim (Beijing).
É consultor internacional na área de negócios, na captação de investimento externo e instalação de empresas em Timor-Leste, sendo a condecoração o reconhecimento do Estado de Timor-Leste pelo seu trabalho como assessor pessoal do presidente da República e Nobel da Paz José Ramos-Horta, e enquanto jornalista, empresário de comunicação social e pelos atos altruístas, por si praticados, em prol da liberdade do povo e da afirmação da constituição do Estado timorense.
Eduardo Morais dos Santos, eborense, engenheiro agrícola, 62 anos de idade, é empresário residente em Díli há 12 anos, tem vasta obra filantrópica e empresarial em Timor-Leste, tendo sido o primeiro empresário estrangeiro a instalar-se no país, em Outubro de 1999 – de 1975 até 1999 foi um ativo contribuinte, a partir de Portugal, para a libertação de Timor-Leste, através do primo José Ramos-Horta.
Ao longo dos últimos 12 anos dedicou-se ao desenvolvimento de projetos, bem sucedidos na área da hotelaria e da restauração, sendo uma referência na formação de recursos humanos timorenses e um “embaixador” do Alentejo e em especial, da cidade de Évora. É fundador e presidente do “Grupo Sagres” - detém em Díli dois hotéis, dois restaurantes – um dos quais com o nome da cidade que o viu nascer “Évora” -, uma agência de viagens, uma revista e um jornal, detém participação numa companhia aérea australiana e está a ultimar o início das operações de pesca profissional com recurso a duas embarcações de vinte metros; é, igualmente, importador de produtos alimentares provenientes de Portugal, de Singapura, da Malásia, da Indonésia, da Austrália e da Nova Zelândia.
Eduardo Morais dos Santos é reconhecido pelas autoridades civis e religiosas como um humanista e filantropo, foi presidente do Lions Club de Díli, é responsável por cerca de três mil tratamentos oftalmológicos gratuitos realizados no país. É doador exclusivo e permanente de um orfanato, com mais de uma centena de crianças e adolescentes timorenses, e promove o sucesso de uma fábrica artesanal de sabonetes que emprega mulheres no interior do país.
Nos últimos anos levou até Timor-Leste fadistas eborenses, promovendo as ligações a Portugal, ao Alentejo e a Évora, em particular.
Eduardo Morais dos Santos, foi furriel do Exército português em Timor-Leste e tem uma filha nascida em Díli, antes da ocupação indonésia, hoje residente em Évora. O condecorado, destacou-se na vida pública eborense na área desportiva e profissional, e é oriundo de uma conhecida família tradicional da cidade, tendo presidido aos destinos do Lusitano Ginásio Clube, nos finais da década de oitenta.